MORTO NO PUTEIRO: Delegado que investigava a morte de Teori é assassinado. Dono de trailer de cachorro-quente é suspeito.

Suspeito também foi baleado e está internado, conforme Polícia Civil.

O Homem baleado durante uma briga que resultou na morte de dois delegados da Polícia Federal na madrugada desta quarta-feira (31) em Florianópolis é o principal suspeito de atirar contra eles, segundo a Polícia Civil. A troca de tiros entre o homem, que é dono de um trailer de cachorro-quente, e os dois policiais ocorreu em uma casa de prostituição na rua Fúlvio Aducci, bairro Estreito, na área continental, por volta das 2h.

“A discussão ocorreu no corredor de acesso às quitinetes, só os três. Foi uma discussão trivial que resultou nisso aí”, afirma o delegado Ênio de Matos, da Delegacia de Homicídios da capital. Ele não detalhou a motivação da discussão. Os policiais federais não estavam em serviço.

Segundo Matos, a briga envolveu os delegados Adriano Antonio Soares e Elias Escobar e o suspeito, que estaria acompanhado de outro homem. Este não havia sido localizado pela polícia até as 12h30 desta quarta-feira.

No entanto, entre os policiais circula a informação que o homem e os dois delegados brigaram no andar de cima no local, que é conhecido pelos moradores como uma casa de prostituição. Quando desceram as escadas para ir embora, foram recebidos a tiros por outros dois homens que estavam na rua, como mostrou o Jornal do Almoço. Escobar morreu no local e Soares no hospital.

Suspeito internado

O suspeito de atirar nos dois delegados foi internado. Segundo a Delegacia de Homicídios, ele teria efetuado o disparo com a própria arma e é dono de um comércio de cachorro-quente localizado próximo à casa. Até as 13h, o delegado averiguava se o suspeito tinha passagens e porte de arma.

Os delegados também atiraram, conforme Matos. O suspeito estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, por isso, ainda não havia sido ouvido. A advogada dele informou à equipe da RBS TV que ele passava por uma cirurgia e não corria risco.

Crime aconteceu no bairro Estreito, na área continental de Florianópolis (Foto: Júlio Ettore/RBS TV)Crime aconteceu no bairro Estreito, na área continental de Florianópolis (Foto: Júlio Ettore/RBS TV)

Crime aconteceu no bairro Estreito, na área continental de Florianópolis (Foto: Júlio Ettore/RBS TV)

Delegados

Os dois delegados mortos a tiros trabalhavam no estado do Rio de Janeiro e estavam em Florianópolis participando de um curso.

Adriano Antonio Soares era delegado chefe da Polícia Federal em Angra dos Reis e abriu a investigação do acidente aéreo que causou a morte do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Já Elias Escobar atuava em Niterói após passar pela delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda.

Em nota, a Polícia Federal lamentou a morte dos policiais e esclareceu que o inquérito que apura o acidente envolvendo a morte de Teori encontra-se em Brasília, presidido por outro delegado, e apenas foi registrado em Angra dos Reis, local do fato.

Nota da Polícia Federal

A Polícia Federal lamenta a morte de dois delegados, ocorrida na madrugada de hoje (31/05) em Florianópolis/SC. Os dois atuavam em Angra dos Reis e Niterói, respectivamente, e estavam na cidade participando de uma capacitação interna. O falecimento dos policiais decorreu de uma troca de tiros em um estabelecimento na capital catarinense. Neste momento de imensa tristeza, a Polícia Federal expressa suas condolências e solidariedade aos familiares e amigos enlutados. Sobre informações que relacionam um dos policiais mortos à investigação do acidente aéreo que vitimou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, a PF esclarece que o inquérito que apura o caso encontra-se em Brasília/DF, presidido por outro delegado, e apenas foi registrado em Angra dos Reis, local do fato.

TERRA DA PALHAÇADA, TODOS EM CASA: Justiça Federal revoga a prisão dos dez ex-gestores presos por fraudes no Mané Garrincha

Lista inclui dois ex-governadores, ex-vice, ex-secretários e empresários da capital. Prisão foi decretada no último dia 23, durante a operação Panathenaico da PF e do MPF.

A Justiça Federal revogou nesta quarta-feira (31) a prisão provisória dos dez ex-gestores e empresários presos no último dia 26, em Brasília, por suspeita de fraudes na construção do estádio Mané Garrincha. A lista inclui os ex-governadores do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR) e o ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB).

A concessão dos habeas corpus foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF), responsável pela análise dos casos. Segundo a Polícia Civil, todos os suspeitos já tinham deixado o Departamento de Polícia Especializada (DPE) até as 20h20 desta quinta. A soltura acontece um dia antes do término oficial da prisão provisória.

Além de Agnelo, Arruda e Filippelli, foram aceitos os pedidos do ex-chefe de gabinete dele Claudio Monteiro (PT), do dono da Via Engenharia Fernando Queiroz, da ex-presidente da Terracap Maruska Lima de Souza e do ex-presidente da Novacap Nilson Martorelli.

Os empresários Jorge Luiz Salomão e Sérgio Lúcio Silva de Andrade e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do DF Afrânio Roberto de Souza Filho também foram soltos.

Prisões revogadas

A prisão temporária dos dez citados começou no último dia 23, e foi prorrogada por mais cinco dias na sexta (26). Sem os habeas corpus, o grupo permaneceria detido na superintendência da Polícia Federal e no DPE, pelo menos, até a próxima sexta (2).

Logo no início da manhã, foram soltos Agnelo, Martorelli, Queiroz e Maruska. Na decisão, a Justiça acatou argumentos de que as diligências ligadas à operação Panathenaico, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, já tinham sido feitas. Com isso, segundo os advogados, não haveria necessidade de manter os suspeitos afastados de escritórios e documentos pessoais, por exemplo.

“A decisão foi técnica, isenta, extremamente bem fundamentada, demonstrando o respeito ao Estado de Direito, ainda que em épocas onde ele mais é atacado”, afirmou um outro advogado de Agnelo, Daniel Gerber. Ele foi o responsável pelo pedido de habeas corpus na Justiça Federal.

No meio da tarde, o ex-secretário da Copa do Mundo no DF e ex-chefe de gabinete de Agnelo, Francisco Claudio Monteiro, também recebeu habeas corpus. Até as 19h, ele seguia detido na carceragem do DPE, à espera dos trâmites para a soltura.

Senado aprova fim do foro privilegiado para crimes comuns. Prisão de parlamentares após condenação em 2ª instância foi retirado

Fim do foro em crimes comuns não vale para presidentes dos poderes.

O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) por 69 votos a zero, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado nos casos em que as autoridades cometerem crimes comuns, entre os quais roubo, lavagem de dinheiro e corrupção (entenda os detalhes da proposta mais abaixo).

Para que o texto pudesse ser aprovado, porém, houve um acordo entre os senadores para retirar da PEC o trecho que previa a prisão de parlamentares após condenação em segunda instância. O Supremo Tribunal Federal já entendeu que é constitucional a prisão neste caso.

Com a decisão do Senado, os parlamentares no exercício de mandato só poderão ser presos após decisão transitada em julgado, ou seja, quando não couber mais recursos. Além disso, pela PEC aprovada, parlamentares no exercício do mandato só poderão ser presos em flagrante de crime inafiançável.

Com a aprovação desta quarta, a análise da PEC foi concluída no Senado (o 1º turno foi aprovado em abril) e o texto seguirá para votação na Câmara. Por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta também terá de ser aprovada em dois turnos para ser promulgada pelo Congresso e entrar em vigor.

Senadores que defendem a PEC têm dito acreditar que a proposta deverá encontrar resistência na Câmara, onde pode ser modificada. Esses parlamentares, contudo, apostam na pressão popular para o projeto ser aprovado também pelos deputados.

ENTENDA: perguntas e respostas sobre a proposta que põe fim ao foro privilegiado

O foro privilegiado

Atualmente, a Constituição prevê que autoridades devem ser processadas e julgadas por tribunais correspondentes às funções que ocupam. Nos casos de crimes comuns, o presidente da República, por exemplo, só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), assim como deputados federais e senadores.

Levantamento feito pela assessoria do relator da proposta, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), indica que 33.387 autoridades possuem prerrogativa de foro especial no país atualmente. São integrantes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e do Ministério Público, além de comandantes das Forças Armadas.

Se a PEC for promulgada, as autoridades que hoje possuem foro privilegiado passarão a ser processadas e julgadas na primeira instância, como qualquer outro cidadão, caso cometam crimes comuns.

Além disso, poderão ser presas após condenação em segunda instância, conforme entendimento estabelecido pelo STF.

O que diz a PEC

Pela proposta aprovada no Senado, as autoridades deverão responder na primeira instância do local onde cometeram o crime comum. Se o delito foi praticado em vários locais, a autoridade vai responder no último local em que o crime foi cometido.

Inicialmente, a PEC não previa que presidentes de poderes continuariam com a prerrogativa de foro especial. No entanto, uma emenda do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) preservou o foro privilegiado para os presidentes da República, do Senado, da Câmara e do STF nos exercícios dos mandatos.

Durante o segundo turno, o senador Randolfe Rodrigues incluiu o vice-presidente da República entre as autoridades que preservam o foro nos casos de crimes comuns.
Deste forma, os ocupantes dessas funções continuarão a ser julgados pelo STF nos casos de crimes comuns.

Crime de responsabilidade

A proposta aprovada, porém, não altera as regras de foro especial para os casos em que as autoridades cometerem os crimes de responsabilidade previstos pela Constituição.
Nesses casos, presidente da República, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República continuarão a ser julgados pelo Senado.

A CADEIA DE AÉCIO NAS MÃOS DE MARCO AURÉLIO que conduzirá investigações com base nas delações da JBS

Afastado do mandato, senador do PSDB também é alvo de inquéritos com base nas delações da Odebrecht. Relator da Lava Jato, Fachin separou o caso dele do inquérito sobre Temer e Rocha Loures.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello foi sorteado nesta quarta-feira (31) para conduzir as investigações sobre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) baseadas nas delações premiadas de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato.

Ponto a ponto: saiba o que os delatores da JBS disseram sobre Aécio

O inquérito sobre Aécio foi separado nesta terça (30), pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, das investigações sobre o presidente Michel Temer e do deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Em abril, quando as investigações foram iniciadas, Temer, Aécio e Rocha Loures eram investigados conjuntamente na Corte, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fachin, porém, decidiu separar as investigações por entender que a suposta atuação de Aécio em favor da JBS e contra a Lava Jato se distingue daquela que teria sido praticada por integrantes do PMDB.

Enquanto Temer e Rocha Loures, segundo as investigações, teriam atuado em favor da empresa junto ao governo, o entendimento é que Aécio teria trabalhado no Congresso e como presidente do PSDB.

No mesmo inquérito sobre Aécio, serão também investigados a jornalista Andrea Neves – irmã do tucano –, Frederico Pacheco de Medeiros – primo do senador afastado –, e o ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG) Mendherson Souza Lima. Andrea e Frederico Pacheco foram presos pela Polícia Federal.

O que diz Aécio
Desde que foi afastado do mandato parlamentar, Aécio Neves tem divulgado notas à imprensa e vídeos na internet para rebater as acusações dos delatores da JBS.
O tucano já disse, por exemplo, que irá provar o “absurdo dessas acusações” e o “equívoco das medidas” contra ele. Aécio também já afirmou que buscará resgatar “a honra e a dignidade” que ele diz ter.

“O tempo permitirá aos brasileiros conhecer a verdade dos fatos e fazer ao final um julgamento justo”, afirmou Aécio em uma nota.

Em um vídeo publicado no Facebook, o senador afastado se disse “vítima de armação” e acrescentou:

“Nessa história, os criminosos não sou eu nem meus familiares. Os criminosos são aqueles que se enriqueceram às custas do dinheiro público e que agora, nesse instante, lá no exterior, zombam dos brasileiros com os inacreditáveis benefícios que obtiveram. Eles, sim, têm que voltar ao Brasil e responder à Justiça pelos muitos crimes que cometeram.”

NUNCA VAI RECEBER: AGU cobra R$ 1,6 milhão de sindicatos por danos no Ministério da Agricultura. Força Sindical diz que ação foi causada por ‘black blocks’ infiltrados

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com ação na Justiça para cobrar das centrais sindicais e dos movimentos sociais o ressarcimento pelos danos causados no Ministério da Agricultura.

O órgão responsável pelas providências jurídicas do governo diz que os prejuízos foram provocados no último protesto contra o governo do presidente Michel Temer, realizado em 24 de maio.

Segundo a AGU, este é o primeiro processo para pedir ressarcimento de danos deste protesto. São cobrados R$ 1,6 milhão para reparos na infraestrutura do prédio e pelo “prejuízo causado pela interrupção dos serviços da pasta”. A AGU entrou com a ação na segunda-feira (29), mas só divulgou nesta quarta (31). O caso será apreciado pela Justiça Federal no Distrito Federal.

“Por causa da violência da manifestação, muitos servidores sequer conseguiram chegar ao local de trabalho e os que conseguiram, tiveram que deixar o prédio.”

Questionada, a Força Sindical – uma das centrais sindicais responsabilizadas – informou que aguarda a notificação judicial, mas que não concorda com a avaliação da AGU. De acordo com o vice-presidente do sindicato, João Carlos Gonçalves, os trabalhadores que viajaram até Brasília vieram para uma manifestação pacífica.

Fachada do Ministério da Agricultura destruída. Manifestantes usaram tapumes como instrumento para barricada. (Foto: Marília Marques/G1)

Fachada do Ministério da Agricultura destruída. Manifestantes usaram tapumes como instrumento para barricada. (Foto: Marília Marques/G1)

“Eu estava lá, e o que vi foi a provocação de black blocks e a PM e a Tropa de Choque serem incapazes de controlar 150 rapazes.”

O processo menciona notícias veiculadas sobre a manifestação, que apontam que a depredação começou após um grupo tentar romper a barreira de proteção da Polícia Militar para acessar o Congresso Nacional.

Segundo a AGU, o fato de não conseguir identificar os manifestantes responsáveis pelos estragos (porque usavam máscaras e camisetas cobrindo o rosto) não justifica a isenção de culpa dos organizadores do protesto.

“Não podem servir como subterfúgio para que vândalos se vejam imunes.”

De acordo com a AGU, o valor cobrado pode aumentar quando o levantamento dos prejuízos for concluído. O G1 tentou contato com as demais centrais citadas na ação judicial, mas até a publicação desta reportagem não teve resposta.

Ministério da Agricultura depois da depredação (Foto: Marília Marques/G1)

Ministério da Agricultura depois da depredação (Foto: Marília Marques/G1)

BEM DOIDÃO: Irmão de Suzane von Richthofen é internado em ala psiquiátrica de hospital em SP, foi preso após invadir imóvel na Zona Sul

Segundo boletim médico, Andreas von Richthofen chegou à unidade escoltado por PMs após invadir imóvel na Zona Sul. À noite, Andreas teve autorizada a transferência para um hospital psiquiátrico.

Andreas von Richthofen, de 29 anos, irmão de Suzane von Richthofen, foi internado nesta terça-feira (30) no Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim médico, ele foi levado ao hospital por policiais militares após invadir uma casa. Andreas estava dormindo no quintal da residência e apresentava diversos ferimentos pelo corpo.

Suzane cumpre pena na prisão em Tremembé por mandar matar os pais em 2002.

O filho caçula da família Richthofen deu entrada no hospital por volta das 8h30. Com roupas rasgadas, “higiene precária” e “olhos vidrados”, como definiu o boletim médico, ele chegou escoltado por uma equipe da PM.

No pronto-socorro, passou por um médico a quem disse estar “paranoico”. As escoriações, espalhadas principalmente pelas pernas, teriam sido causadas pelas pontas de lança da grade do imóvel invadido, conforme relatou ao clínico geral.

Segundo a sala de imprensa da PM, Andreas foi localizado em uma travessa da Avenida Washington Luís, perto da Avenida Vicente Rao, na Chácara Flora, região de Santo Amaro, na Zona Sul.

Andreas, que é doutor em química pela Universidade de São Paulo (USP), teve autorizada sua transferência ainda na noite desta terça-feira para a Casa de Saúde João de Deus, um hospital psiquiátrico em Pirituba, na Zona Oeste de São Paulo (veja o documento de transferência mais abaixo).

Funcionários do Hospital do Campo Limpo também ouviram de Andreas que a ideia de invadir a casa não foi dele, e sim uma “ordem do imperador”. O rapaz contou à equipe médica que faz uso esporádico de álcool e maconha, mas afirmou que não consumiu nenhuma das substâncias recentemente.

Andreas foi avaliado novamente na parte da tarde, desta vez por um psiquiatra, e acabou internado na ala de saúde mental da unidade. Oscilando entre momentos de lucidez e devaneio, em que diz temer que alguém o mate, ele agora divide um quarto com outros dois pacientes.

Andreas chegou ao hospital com brasão da família Richthofen no bolso (Foto: Arquivo Pessoal)Andreas chegou ao hospital com brasão da família Richthofen no bolso (Foto: Arquivo Pessoal)

Andreas chegou ao hospital com brasão da família Richthofen no bolso (Foto: Arquivo Pessoal)

A ala em questão é guardada por um segurança e só pode ser acessada por quem tem a chave. Pacientes lá internados têm a liberdade de deixar as macas e caminhar quase que livremente pela seção, que mais parece pertencer a um hospital ou casa de repouso particular por conta da organização.

Enrolado em um cobertor cinza, André, como foi involuntariamente rebatizado no hospital, vaga pelos corredores e até já troca breves palavras com outros internos. A maca dele fica no chão, mas por questão de segurança, de acordo com funcionários.

Até a tarde desta terça, nenhum familiar de Andreas havia aparecido no hospital para visita-lo ou procurar notícias. O único elo com a família no local, por enquanto, é o brasão de ouro que foi recolhido em seu bolso e que traz o sobrenome que diversas vezes estampou capas de jornais do país. O objeto está guardado na administração.

Andres será transferido para uma casa de saúde em Pirituba (Foto: Arquivo pessoal)Andres será transferido para uma casa de saúde em Pirituba (Foto: Arquivo pessoal)

Andres será transferido para uma casa de saúde em Pirituba (Foto: Arquivo pessoal)

Relembre o caso

Suzane foi condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais em 2002 e cumpre pena na penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, a P1 Feminina de Tremembé, no interior de São Paulo.

Ela confessou participação no assassinato dos pais, ocorrido em 31 de outubro de 2002. O casal Manfred e Marísia von Richthofen foi morto pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos na mansão onde moravam, na capital paulista. O irmão dela, Andreas, tinha 15 anos na época do crime.

Daniel namorava Suzane, que teria planejado o crime porque não tinha um bom relacionamento com os pais. Ela pretendia dividir o dinheiro da herança da família com os Cravinhos. Os irmãos também foram presos e condenados ao regime fechado. Em fevereiro de 2013, progrediram para o regime semiaberto.

VAI TER ELEIÇÕES DIRETAS SIM! CCJ do Senado aprova eleições diretas em caso de vacância da Presidência. Com aprovação, texto segue ao plenário da Casa

PEC prevê eleição direta se posto ficar vago nos 3 primeiros anos do mandato; lei atual prevê eleição com vacância nos 2 primeiros anos.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (31) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece eleições diretas se a Presidência da República ficar vaga nos três primeiros anos do mandato.

A CCJ é responsável por analisar se os projetos apresentados no Senado ferem algum princípio da Constituição.

Com a aprovação da PEC pelos senadores do colegiado, o texto será enviado ao plenário do Senado. Se os senadores aprovarem o texto em plenário, a PEC seguirá para a Câmara.

Atualmente, a legislação prevê que, na hipótese de presidente e vice deixarem o comando do país nos últimos dois anos do mandato, deve ser realizada eleição indireta, em até 30 dias, pelo Congresso Nacional.

A PEC, apresentada pelo senador Reguffe (sem partido-DF) em 2016, altera o artigo que trata da vacância da Presidência.

O texo aprovado nesta terça pela CCJ prevê que, na ausência definitiva do presidente e do vice, o Congresso elege indiretamente o chefe do Executivo federal se a vacância ocorrer no último dos quatro anos de mandato.

Caso a PEC seja aprovada neste ano, uma eventual saída do presidente Michel Temer ainda em 2017 levaria a uma eleição direta, já que o mandato do peemedebista se encerra em 31 de dezembro de 2018. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil não tem um vice-presidente.

URGENTE! Delegado que investigava a morte de Teori é assassinado

Dois delegados da Polícia Federal foram assassinados na madrugada desta quarta-feira, 31, em Florianópolis.

Elias Escobar, 60 anos, e Adriano Antônio Soares, 47 anos, estavam em uma casa noturna quando houve um desentendimento e os tiros foram disparados. Uma pessoa ficou ferida no tumulto.

Adriano Antônio Soares era o responsável por investigar as circunstâncias da queda do avião que matou o ministro Teori Zavascki, então relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, e outras quatro pessoas em Paraty (RJ) janeiro deste ano.

Soares, que atuava como chefe da Polícia Federal de Angra dos Reis desde 2009, havia sido designado para investigar o caso ainda em janeiro.

Elias Escobar era chefe da Polícia Federal em Niterói até março deste ano.

O delegado que assumiu a investigação, Ênio Mattos, informou ao jornal Diário Catarinense que ainda não se sabe o que teria provocado a briga.

Nesta manhã, testemunhas estão sendo ouvidas pela DP. “Foi um desentendimento entre o homem que era um civil contra os dois policiais. Só isso que eu sei até agora”, disse.

Segundo a central de emergência da PM, buscas foram feitas na região para tentar localizar dois suspeitos, mas até por volta das 7h30min ninguém havia sido preso. O Instituto Geral de Perícias (IGP) isolou a área e recolheu o corpo de uma das vítimas.

SERÁ PROPINA? Às vésperas de julgamento no TSE, Temer acerta patrocínio milionário do governo a Instituto de Gilmar Mendes

Uma faculdade que tem como sócio o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anuncia de Michel Temer em um seminário patrocinado pelo governo. Gilmar é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), corte que começa a julgar no dia 6 uma ação que pode cassar Temer.

De acordo com a programação do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Temer participará da cerimônia de abertura do seminário, marcado para os dias 20 e 21 de junho, pouco mais de dez dias após a retomada do julgamento do TSE.

As informações são de reportagem de na Folha de S.Paulo.

“O evento é chamado de “7º Seminário Internacional de Direito Administrativo e Administração Pública -Segurança Pública a Partir do Sistema Prisional”. O anúncio no site da faculdade de Gilmar estampa propaganda da Caixa Econômica Federal e o logo oficial do governo federal.

O banco informou à Folha que vai repassar R$ 90 mil de patrocínio. O apoio do governo se dá pela participação da Caixa, segundo a assessoria da Presidência.

Além de Temer, os ministros Torquato Jardim (Justiça) e Raul Jungmann (Defesa) aparecem como participantes da mesa de abertura do seminário, assim como o próprio Gilmar Mendes. Torquato tomará posse no cargo nesta quarta (31), às 10h, em cerimônia para sacramentar a substituição do ministro Osmar Serraglio, que foi demitido e voltou ao mandato de deputado.

Na lista de palestrantes também estão a presidente do STF, Carmen Lúcia, o ministro da corte Alexandre de Moraes, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e o general Sergio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Gilmar Mendes tem refutado nos últimos meses que sua relação com Temer terá influência no julgamento do tribunal. O ministro já esteve em reuniões privadas com o presidente no Palácio do Jaburu e chegou a pegar carona num avião presidencial para Lisboa para participar de um evento em janeiro.”

“Tenho pena de quem tem que viver com R$ 19 mil”, diz senador

Quem não se lembra dessa tão famosa frase: “Tenho pena de quem tem que viver com 19 mil!”.

O autor da frase  é o senador Cyro Miranda, que criticou a sociedade, considerando que não se pode comparar o salário mínimo com o salário de um senador, no entanto sua atuação no senado não tem valido os “míseros” 19 mil que ganha.

Acabar com a Voz do Brasil

A alguns meses criou um projeto de lei para retirar o programa voz do Brasil do ar, ou seja, o único programa que passa em quase todos os canais de rádio e que informa o povo sobre como andam as coisas no congresso, e presidência, segundo ele é antiquado e não deve ser mais ouvido pelos brasileiros.

Além de fazer pouco ainda trabalha para retirar um mecanismo de informação do Brasil sobre como andam as coisas lá pelo Senado, Câmara e Presidência.

Por quê será?

Ex-repórter do SuperPop está foragida no Rio de Janeiro. Suspeita de envolvimento com a maior facção criminosa de São Paulo

Luana de Almeida Domingos, a Luana Don, de 32 anos, pode estar se escondendo no Rio de Janeiro, segundo informações repassadas à polícia.

Contra ela, há um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Ex-SuperPop

Luana foi repórter em um programa de televisão entre 2012 e 2015.

É também advogada, inscrita na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da Lapa, Zona Oeste de São Paulo, e está sendo procurada pela polícia da região.

De acordo com a corporação, a criminosa integra uma célula denominada “Sintonia das Gravatas”, responsável pelos interesses jurídicos da facção, atuando como “pombo correio”, entre os chefes presos e o restante da quadrilha, levando ordem do comando para seus integrantes.

URGENTE: Fachin abre inquérito, atende Dilma e o STF pode anular impeachment. O ministro entendeu que o PMDB articulou para frear a Lava Jato

O ministro Luiz Fachin, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta segunda-feira (29) a abertura de inquérito para investigar os senadores.

Romero Jucá, José Sarney, Renan Calheiros e Sergio Machado, todos do PMDB, por crime de obstrução à Lava Jato.

Em razão dos diálogos em que eles defendiam a necessidade de derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT), promover a troca no comando da Nação com o objetivo de “estancar a sangria e parar essa porra’ da Lava Jato” (termo utilizados pelos senadores durante a conversa).

Fachin acolheu os argumentos do procurador-geral Rodrigo Janot, para quem a ‘saída Michel’ foi uma forma de obstruir a Lava Jato.

Anulação de todo o processo

Diante disso, o STF pode anular o impeachment e devolver o cargo de presidente a petista Dilma Rousseff.

Diante as circunstâncias que o Brasil atravessa isso seria uma espécie de revanche e o fim do PMDB.

Palocci chora: pede prisão domiciliar para entregar bancos e Lula. Está visivelmente cansado e apresenta sinais de depressão

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci tenta negociar, em acordo de delação premiada, que sua pena seja cumprida em um ano de prisão domiciliar e que seus depoimentos sejam focados em banqueiros e empresários, além do ex-presidente Lula.

Fechado desde o anos passado

Preso desde setembro de 2016, o petista tem se dedicado, no último mês, à elaboração de sua proposta de acordo com a Procuradoria-Geral da República e a força tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Para ter sua delação aceita pelos investigadores, Palocci decidiu revelar os detalhes de operações supostamente irregulares cometidas pelo ex-presidente e um dos donos do BTG Pactual, André Esteves, e o ex-dono do Pão de Açúcar Abílio Diniz.

No caso de Esteves, o ex-ministro promete explicar supostas vendas de medidas provisórias no Congresso para bancos privados, nos quais, segundo Palocci, o banqueiro esteve envolvido.

Sobre Abílio, o petista diz, segundo a Folha apurou, que pode detalhar suposta manobra para tentar mantê-lo no controle do Grupo Pão de Açúcar, em meio à disputa com a francesa Casino. O imbróglio, que durou dois anos, não deu certo e culminou na saída de Abílio do conselho do grupo, em 2013.

Como a Casino contava com o apoio informal de Fernando Pimentel (PT), à época ministro do Desenvolvimento de Dilma, Abílio contratou Palocci para garantir influência a seu favor. A informação foi confirmada à Folha por integrantes das tratativas do acordo.

Grupo Pão de Açúcar

O Grupo Pão de Açúcar fez pagamentos à Projeto, empresa de Palocci, por meio do escritório do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014. Notas divulgadas em 2015 pelas partes confirmam as transações. Relatório do Coaf, com dados de 2008 a 2011, mostra que Bastos foi o segundo maior cliente da consultoria de Palocci, com repasses de R$ 5,5 milhões.

Em 2015, a Projeto divulgou nota na qual afirma que os pagamentos tiveram como origem o grupo Pão de Açúcar, que contratou o ex-ministro para que ajudasse na fusão com as Casas Bahia.

Além de citar integrantes do setor privado, o que poderia abrir novo flanco de investigação, Palocci diz que explicará esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), o que poderia unir as operações Zelotes e Lava Jato.

Confirmações sobre Lula

Para dar início às conversas sobre a delação, procuradores exigiram que o petista confirmasse informações sobre o ex-presidente Lula dadas por ex-executivos da Odebrecht, principalmente no diz respeito à conta “Amigo”. Ele sinalizou positivamente.

Segundo o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, Palocci operava uma conta-propina, destinada às demandas políticas de Lula.

Outro episódio que envolve o ex-presidente e que Palocci pretende esclarecer é o suposto benefício financeiro obtido por Lula na criação da empresa Sete Brasil, em 2010.

Procuradores querem toda a quadrilha

Até o momento, Palocci se reuniu apenas uma vez com os procuradores. Na conversa, mostrou-se reticente a entregar políticos com foro privilegiado. No entanto, a atitude foi revista depois que investigadores disseram que, sem isso, não haveria acordo.

Depois que foi preso, Palocci colocou um prazo de seis meses para sua defesa antes de começar a negociar uma delação. Como até abril não houve nenhuma decisão de tribunais superiores a favor de sua soltura, deu início às tratativas, comandadas hoje pelos advogados Adriano Bretas e Treacy Reinaldt.

Templo de Salomão pode ser a casa dos usuários de crack. A obra faraônica é considerada por muitos religiosos uma aberração

O grande desafio que o prefeito João Doria enfrenta em São Paulo é dar uma destinação adequada aos usuários de crack que ocupavam quarteirões da Praça Júlio Prestes, da rua Helvética e a avenida Rio Branco.

Choveu críticas ao prefeito depois da operação realizada na última semana com apoio da Polícia Militar e agentes municipais.

Doria foi corajoso. Enfrentar um problema como a ocupação desordenada de espaço público por usuários de drogas e traficantes é mesmo uma tarefa complexa.

Não seria tão difícil se outros setores da sociedade civil organizada tomassem partido no combate ao uso de drogas ilícitas.

Cadê as igrejas?

O Templo de Salomão um luxuoso e confortável espaço que demandou muito dinheiro para ser erguido se contrapõe a realidade da cidade de São Paulo.

A obra faraônica é considerada por muitos religiosos uma aberração, uma afronta aos princípios do Cristianismo.

Pela grandiosidade, este templo é mais uma obra faraônica do que cristã. Eis algumas objeções:

1 – As pessoas vão cultuar espaços físicos no lugar de Deus.
2 – Haverá peregrinações como se fosse um lugar sagrado.
3 – Se criará mais um fomento do mercado religioso brasileiro.
4 – Voltar a “adorar” a simbologia do Antigo Testamento é um retrocesso da fé cristã.
5 – Apesar da afirmação “Feito para a glória de Deus”, o templo de Salomão não servirá ao pobre, à viúva, ao necessitado, ao desalojado e ao órfão, mas todas as pessoas servirão o templo e sustentarão seus gastos.
6 – Deus não está em templos feitos por mãos humanas, mas habita em pessoas através do seu Espírito. Os cristãos são o verdadeiro templo do Espírito de Deus. (At 17:24)
7 – A obra abrigará a tumba da família MACEDO.

Enquanto a cidade de São Paulo ostenta um dos maiores símbolos religiosos do país, do outro lado existe um prefeito que atua quase que sozinho em causas complexas como é a dependência do uso de drogas.

O templo poderia abrigar boa parte dessa gente desalojada como forma de demonstrar seu amor ao próximo conforme determina o cristianismo e a fé cristã.

O crime compensa no Brasil: Joesley vai devolver o dinheiro público em 25 anos, assim é muito fácil ser bandido e se arrepender

O chamado acordo de leniência supõe que o criminoso confesse e fique em liberdade

A J&F, dona da JBS, utilizou do dinheiro público que saiu do BNDES para criar uma espécie de monopólio da carne comprando políticos e autoridades até que se tornar a maior processadora de proteína do mundo. Foi bem assim que veio o sucesso, na base da sujeira.

Mas esse não foi o único grande feito dos irmãos Joesley e Wesley.

O crime praticado por eles obteve o perdão negociado em valores: R$ 10,3 bilhões.

A tratativa, fechada com o Ministério Público Federal do Distrito Federal, será assinada nos próximos dias, após a conclusão das discussões de cláusulas do acordo, segundo os procuradores.

O acordo inclui os fatos apurados em cinco operações em que a J&F é alvo.

Com o acerto, as empresas do grupo garantem o direito de continuar sendo contratadas pelo poder público e retiram entraves para obter empréstimos junto a instituições financeiras.

Do total a ser pago, R$ 8 bilhões serão destinados a Funcef (25%), Petros (25%), BNDES (25%), União (12,5%), FGTS (6,25) e Caixa Econômica Federal (6,25%). O restante da multa, de R$ 2,3 bilhões, será pago por meio de projetos sociais.

Haja paciência

O prazo de pagamento foi fixado em 25 anos, sendo que, neste período, os valores serão corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Considerando a correção, a projeção é que o total a ser pago pela J&F chegue a R$ 20 bilhões.

PARECE ATÉ MENTIRA, MAS NÃO É: Torquato Jardim, novo ministro da Justiça, já defendeu o #foratemer

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, escolhido neste domingo, 28, já defendeu, em artigo de opinião, a cassação da chapa Dilma-Temer.

No texto, publicado no site de seu escritório de advocacia, em 8 de julho de 2015, o jurista argumentava que “desconstituído o diploma da presidente Dilma, cassado estará o do vice Michel, visto que a eleição do vice é mera decorrência da eleição do titular”.

A chapa deve ser julgada no próximo dia 6 de junho pelo TSE.

Há informações de que a nomeação de Torquato para o lugar de Osmar Serraglio passou pelo crivo do senador investigado e afastado Aécio Neves.

Numa gravação feita pela Polícia Federal o senador Aécio Neves é flagrado fazendo duras críticas ao trabalho de Osmar Serraglio frente ao Ministério da Justiça.

Na verdade, Aécio queria que Serraglio agisse de forma que pudesse obstruir o trabalho da Polícia Federal sendo útil aos interesses escusos dele.

Serraglio foi descartado por Michel Temer em troca de Torquato.

Surge um candidato para a redenção do Brasil, sério, culto e sem partido

Um parecerista, consultor e professor aposentado de Direito Comercial da Faculdade de Direito da USP e a maior referência nacional em matéria de programas anticorrupção, o professor Modesto Carvalhosa é a opção lançada por um grupo de juristas para o caso de uma provável renúncia ou cassação de Michel Temer.

Entre as propostas do grupo, encampadas por Carvalhosa, está a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para elaboração de uma nova Constituição, a eliminação do foro privilegiado, o voto distrital puro, o estabelecimento do regime de consulta, com referendo ou plebiscito, para qualquer matéria constitucional relevante, a eliminação do fundo partidário, entre outras.

Segundo o ‘Estadão’, o nome de Carvalhosa tem o apoio de nomes como o do jurista Hélio Bicudo (um dos responsáveis pelo pedido de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff), do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e do ex- ministro do Superior Tribunal Militar Flávio Bierrenbach.

Após o mandato tampão, de acordo com a proposta da candidatura, o Brasil recomeçaria do ‘zero’, com um novo presidente escolhido pela via direta, uma nova Constituição, uma nova Câmara e um novo Senado, todos eleitos em 2018.

‘Coloco meu nome para cumprir essa travessia que vai da saída do atual presidente às eleições diretas de 2018’, já se manifestou Modesto Carvalhosa.

É uma iniciativa da sociedade sem a interferência de nossa enlameada classe política.

Para salvar Rocha Loures, presidente da República tem três saídas polêmicas e marcadas por escândalos

Com a decisão do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) de recusar convite do governo para assumir o comando do Ministério da Transparência, retomando o mandato na Câmara dos Deputados, o paranaense Rodrigo Rocha Loures, flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil, propina paga pelo Grupo JBS, está sem o chamado foro privilegiado desde a tarde desta terça-feira (30). Isso significa que um pedido de prisão de Loures poderá surgir a qualquer momento.

Pífio como político e desastroso como operador de Michel Temer nos subterrâneos do poder, Rocha Loures está sendo pressionado pela família para iniciar negociação de colaboração premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato, antes que o pior aconteça. Considerando que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir a prisão de Loures, a delação é o caminho mais lógico, apesar de seu advogado alegar que a defesa será técnica.

Se Rodrigo Rocha Loures optará pela delação não se sabe, mas a simples possibilidade vem tirando o sono do presidente da República e de alguns integrantes do núcleo duro do Palácio do Planalto. Isso porque o agora ex-deputado, não suportando a pressão decorrendo do JBSgate, certamente contará o que sabe sobre o escândalo que continua chacoalhando o governo Temer.

Disposto a tudo para manter-se na Presidência, Michel Temer terá de agir rápido antes que um pedido de prisão de Rocha Loures chegue ao gabinete do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

A saída que resta a Temer é entregar o Ministério da Transparência a um dos três deputados federais paranaenses do PMDB, exceto Osmar Serraglio (ao todo são quatro). São eles: Hermes Parcianello, João Arruda e Sérgio Souza.

Bacharel em Ciências Contábeis, Parcianello, conhecido na política paranaense como “Frangão”, é alvo de inquérito no STF por corrupção ativa e contravenções penais. É acusado de exploração do jogo do bicho e pagamento de propina para encobrir atividade ilícita.

Sobrinho do descontrolado senador Roberto Requião (PMDB-PR), João Arruda foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná por homicídio culposo em decorrência de acidente de trânsito em que morreram duas pessoas.

Advogado, Sérgio Souza é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Citado em grampos da Operação Carne Fraca, Souza é acusado de ter recebido “muito dinheiro” de Daniel Gonçalves Filho, fiscal agropecuário apontado como líder do esquema criminoso no Ministério da Agricultura e preso pela PF.

Em janeiro de 2016, os nomes de Hermes Parcianello e João Arruda vieram à baila nos bastidores dos escândalos. Ambos (Parcianello e Arruda) teriam recebido dinheiro do Grupo Libra, que opera no Porto de Santos, através de transferências da conta de campanha de Michel Temer, em 2014.

Boneco de ventríloquo, Lindbergh Farias defende eleição direta já como se não fosse um golpe esquerdista

Desesperados, o PT e seus puxadinhos ideológicos vinham se debatendo para não desaparecer da cena política nacional, mas agora tentam pegar carona na crise que chacoalha o governo de Michel Temer. Sem ao menos ler a Constituição Federal, que não prevê eleições diretas em caso de vacância da Presidência da República, a esquerda raivosa tenta romper a ordem democrática com a proposta de antecipação das eleições, algo vedado pela Carta Magna em seu artigo 60.

Um dos alucinados que defendem a ideia, como se essa fosse a solução para o País, é o falastrão<strong>Lindbergh Farias</strong>, senador pelo PT do Rio de Janeiro e na alça de mira da Operação Lava-Jato. Lindbergh tem garantido o direito à livre manifestação do pensamento, podendo inclusive balbuciar besteiras, porque o Brasil ainda é uma democracia de fato e de direito, mas impossível sonhar que pessoas de bem sigam esse pensamento insano e antidemocrático.

O senador petista, que durante o impeachment da “companheira” Dilma Rousseff integrou o grupelho sensacionalista que acabou batizado como “jardim da infância”, vem empunhando o microfone para dizer que o Brasil só sairá da crise com um presidente eleito pelo povo, o que no entendimento desses apasquinados esquerdistas significa recolocar o bandoleiro Lula no Palácio do Planalto.

Pelo que se sabe, Michel Temer foi eleito vice-presidente da República pelo voto popular e só chegou à Presidência por causa do banditismo político adotado pelo PT e seus puxadinhos ideológicos. Portanto, qualquer discurso contra o que está na Carta Magna é golpe. O que não significa que Temer seja o presidente dos sonhos.

Que ninguém caia nessa armadilha que é a antecipação das eleições, pois o objetivo é transformar o Brasil em uma ditadura comunista disfarçada de democracia socialista, tudo no melhor estilo da vizinha e combalida Venezuela.

A Constituição brasileira é clara ao determinar que em caso de vacância da Presidência na segunda metade do mandato em curso a eleição deve ser indireta e realizada pelo Congresso Nacional. E nenhuma solução, que não essa, deve ser aceita pela sociedade, mesmo que o período de travessia seja turbulento.

A maioria desses oportunistas de plantão da esquerda colérica sequer viveu a ditadura militar – muito menos sabe a respeito do era plúmbea brasileira – mas ousa falar aos quatros ventos que a recente convocação do Exército, pelo presidente Michel Temer, como forma de garantir a lei e a ordem, mostra que o País vive sob um regime totalitário.

Lindbergh Farias e seus “camaradas” da esquerda bandoleira deveriam poupar a população desse besteirol de encomenda, dedicando mais tempo aos estudos e à leitura. A convocação das forças do Exército pelo presidente da República está prevista na Constituição Federal, sendo que tal expediente também foi adotado por Dilma à época das manifestações de 2013.

A fala desses ignaros é tão devastadora em termos de mitomania, que na sugerida ditadura as instituições democráticas funcionam sem qualquer sobressalto e os Poderes constituídos permanecem independentes e harmônicos. De quebra, o País não tem um preso político sequer, o que demonstra a plenitude da democracia.

O plano marginal do PT é retornar ao Palácio do Planalto para, de chofre, salvar o alarife Lula da prisão e, ato contínuo, terminar a roubalheira que começou pela Petrobras e alastrou-se para outras estatais e autarquias. Em suma, a salvação do Brasil, no momento atual, é eleição indireta já.

A MAIOR MULTA DA HISTÓRIA DO MUNDO: JBS fecha acordo de leniência e irá pagar R$ 10,3 bilhões

Segundo Ministério Público, empresa irá detalhar fatos investigados em cinco operações

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou, na noite desta terça-feira, que o grupo J&F, que controla a JBS, aceitou pagar R$ 10,3 bilhões em um acordo de leniência. De acordo com o MP, o documento será assinado nos próximos dias, e a empresa irá detalhar fatos investigados em cinco operações: Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Carne Fraca e Bullish.

Segundo a nota divulgada, do total pago, R$ 8 bilhões serão distirbuídos entre Funcef (25%), Petros (25%), BNDES (25%), União (12,5%), FGTS (6,25) e Caixa Econômica Federal (6,25%). O restante, R$ 2,3 bilhões, será pago por meio de projetos sociais, nas áreas de educação, saúde, e prevenção da corrupção.

O pagamento será iniciado em dezembro, e terá o prazo de 25 anos. Nesse período, os valores serão corrigidos pela inflação, o que, segundo o MPF, pode elevar o total para R$ 20 bilhões. Toda a multa ficará no Brasil.

Os R$ 10,3 bilhões correspondem a 5,62% do faturamento da J&F em 2016. De acordo com o Ministério Público, este é “o montante é o maior decorrente de acordos de leniência já firmados no Brasil e no mundo”. A Odebrecht, por exemplo, pagou R$3,28 bilhões, enquanto a Braskem desembolsou R$ 3,1 billhões e a Andrade Gutierrez, R$ 1 bilhão.

Com dificuldades em fechar o acordo, e após ter recusada uma proposta de pagar multa de R$ 8 bilhões, o grupo J&F trocou o escritório de advocacia que negociava o assunto com o MPF. O escritório Bottini & Tamasauskas Advogados, liderado por Pierpaolo Bottini, assumiu a defesa. Antes, a empresa era representada pelo escritório Trench Rossi Watanabe.

MAIS OBSTÁCULOS

A expectativa é de que a multa seja só o primeiro obstáculo a ser imposto à empresa. O grupo ainda terá de travar uma batalha com a Justiça americana, na qual as leis anticorrupção são mais severas, com multas pesadas e sanções.

Outra dificuldade refere-se à provável necessidade de venda de ativos no futuro, que pode esbarrar em maiores exigências dos compradores.

VAI TER QUE ABRIR O BICO: MPF reforça pedido de condenação do ex-ministro Antônio Palocci, acusado de favorecer a Odebrecht interferindo no governo federal.

O Ministério Público Federal (MPF) reforçou nesta terça-feira (30) o pedido de condenação de Antônio Palocci e outros réus nas alegações finais do processo em que o ex-ministro é réu na Operação Lava Jato.

O processo apura se Palocci recebeu propina para atuar em favor do Grupo Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal. Ele e os outros réus respondem por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Restou comprovado, no curso da instrução processual, que, desde 2002, Antonio Palocci estabeleceu com os mais altos executivos da Odebrecht um amplo e constante esquema de corrupção, destinado a assegurar o atendimento aos interesses do Grupo Odebrecht perante as decisões adotadas pela alta cúpula do Governo Federal, em troca do pagamento de vantagens indevidas solicitadas por Antonio Palocci e destinado, de forma amplamente majoritária, ao Partido dos Trabalhadores e a seus membro”, diz o MPF.

Palocci está preso desde o dia 26 de setembro do ano passado. Atualmente, está detido na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba.

O MPF também pediu que a Petrobras seja reparada em R$ 32.110.269,37 e o perda do produto e proveito dos crimes no mesmo valor. A quantia, de acordo com a força-tarefa, corresponde ao total de propina paga.

Veja a lista completa dos réus e dos crimes:

Antonio Palocci – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Branislav Kontic – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Marcelo Odebrecht – corrupção ativa e lavagem de dinheiro
Fernando Migliaccio da Silva – lavagem de dinheiro
Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho – lavagem de dinheiro
Luiz Eduardo da Rocha – lavagem de dinheiro
Olivio Rodrigues Junior – lavagem de dinheiro
Marcelo Rodrigues – lavagem de dinheiro
Monica Moura – lavagem de dinheiro e corrupção passiva
João Santana – lavagem de dinheiro e corrupção passiva
João Vaccari Neto – corrupção passiva
João Ferraz – corrupção passiva
Eduardo Musa – corrupção passiva
Renato Duque – corrupção passiva
A lista de réus é composta essencialmente por colaboradores da Lava Jato, ou seja, acusados que assinaram acordo de colaboração e, portanto, aceitaram repassar informações sobre o esquema criminoso em troca de benefícios em caso de condenação. Não são delatores: Antônio Palocci, Branislav Kontic, João Vaccari Neto e Renato Duque.

Renato Duque

Foi nesta ação penal que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque pediu para ser reinterrogado pelo juiz Sérgio Moro. Até aquele momento, ele havia ficado em silêncio em todas as audiências em que é réu.

Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou por unanimidade um pedido de liberdade a Duque.

Os procuradores da força-tarefa mencionaram este novo depoimento nas alegações finais desta terça-feira, reforçando que não existe nenhum acordo de colaboração com Renato Duque e que da nova oitiva “não se extraem requisitos para a concessão de nenhum benefício (…), devendo ele responder de modo pleno pelos crimes que praticou”.

O ex-diretor da petrolífera acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter recomendado que destruísse provas da propina recebida por petistas fora do Brasil no escândalo do Petrolão. Os advogados do ex-presidente rebateram afirmando que o depoimento de Renato Duque foi uma tentativa de fabricar acusações ao Lula.

Duque já foi condenado em quatro ações da Lava Jato a mais de 50 anos de prisão e é réu em pelo menos outros seis processos decorrentes da operação que estão em andamento na 13ª Vara Federal de Curitiba.

NÃO TEM MOLEZA: STF nega a Renato Duque extensão da liberdade concedida a José Dirceu

A segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta terça-feira (30) um pedido de liberdade do ex-diretor da Petrobras Renato Duque.

Por unanimidade, os ministros do colegiado — Dias Toffoli, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Gilmar Mendes –, rejeitaram um pedido de extensão da liberdade concedida no início do mês ao ex-ministro José Dirceu.

No pedido, Duque afirmou que está preso há dois anos e dois meses “sem culpa formada” e pede que sejam revogadas ordens de prisão em quatro ações penais às quais ele responde. Segundo a defesa, ele não representa mais risco às investigações.

Duque argumentava ainda que os motivos de sua prisão e de Dirceu eram os mesmos e que as ordens de prisão contra ele nos diferentes processos a que responde têm também os mesmos motivos.

Os ministros da Segunda Turma entenderam, porém, que não há similaridade entre os dois casos e, com isso, a soltura de Duque não era justificada.

No caso de Dirceu, Segunda Turma liberou o ex-ministro por considerar que a prisão estava alongada e representava uma antecipação da pena, já que não havia condenação em segunda instância.

O colegiado também rejeitou estender a decisão favorável a Dirceu a dois sócios da construtora Credencial – Eduardo Meira e Flácio Henrique Macedo, presos há um ano. Os ministros consideraram que os dois ainda têm recursos pendentes de decisão no Supremo e que, por isso, não poderiam ter apresentado mais um.

PARTIDO DE SAFADOS PRECISA DE UM NO COMANDO: Renan seguirá na liderança do PMDB, dizem senadores

Bancada se reuniu nesta terça para decidir se manteria ou destituiria Renan do posto de líder. Parlamentares têm relatado desconforto com postura do senador contrária ao governo Temer.

Os senadores Raimundo Lira (PMDB-PB) e Hélio José (PMDB-DF) informaram nesta terça-feira (30), após participarem de uma reunião da bancada do PMDB do Senado, que Renan Calheiros (PMDB-AL) seguirá no posto de líder do partido na Casa.

A reunião da bancada serviu para que os integrandes da legenda decidissem sobre manter ou destituir Renan da função.
Ex-presidente do Congresso, Renan Calheiros assumiu o posto de líder do PMDB no início deste ano.

Em discursos, vídeos na internet e em notas, ele passou a adotar uma postura contrária as reformas trabalhista e da Previdência Social propostas pelo presidente Michel Temer, o que contrariou integrantes da bancada peemedebista.

“Foi uma reunião para ver se decidia alguma coisa e ficou tudo como está”, disse Raimundo Lira ao deixar a reunião desta terça.

O senador, que aparecia entre os cotados para assumir a liderança, acrescentou: “Chegou-se à possibilidade de encontrar um consenso, uma a possibilidade de o Renan se manifestar em nome dele [nas votações das reformas] e ter um vice-líder ou dois que se manifestem pela maioria da bancada”.

Pouco antes da declaração de Lira, Hélio José, aliado de Renan disse que, na reunião, todos os integrantes ponderam que Renan não precisa mudar o voto, mas precisa manifestar a maioria da posição da bancada.

“Todos ponderaram que, se a posição da maioria da bancada nesse momento com relação à reforma trabalhista tende a uma posição, que o senador Renan Calheiros pudesse manifestar essa posição da maioria. Não que ele fosse obrigado a mudar o voto dele. Ele é livre pra votar como quiser”, disse.

Na semana passada, a insatisfação de alguns integrantes da bancada com Renan ficou explícita após um bate-boca entre ele e Waldemir Moka (PMDB-MS). Na ocasião, o senador alagoano disse que Moka era “puxa-saco” e o parlamentar respondeu: “Há muito tempo vossa excelência não fala pela liderança.”

Aécio pressionou Temer a fazer ‘mea culpa’ e trocar diretor da PF. Recém nomeado por Temer ao Supremo, Alexandre de Moraes teria conhecimento das pressões

Em mais uma prova de tentativa de obstrução da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado admitindo ter pressionado o atual presidente da República, Michel Temer, a trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Também no diálogo, o político indica que Alexandre de Moraes, recém empossado no Supremo Tribunal Federal (STF), tinha conhecimento das pressões do governo contra a Lava Jato.

“Foi uma cagada generalizada, mas eu tô, tô querendo apertar de novo amanhã, amanhã, o Michel nessa história. Acho que o Brasil tem que fazer uma operação, tem que fazer uma ‘mea culpa’ pra dar pelo menos mais um instrumento pros negociadores novos, pros embaixadores, pros diplomatas novos. O cara da Polícia Federal chegar e cair, né. Dizer o seguinte: ‘foi um erro de avaliação e tal, eram questões pontuais que não afeta, né, um ‘mea culpa’ do Brasil que o Michel não teve culhão de cobrar do cara pra fazer. [Eu] tava cobrando isso hoje lá, falar com ele pra fazer…” [sic], disse Aécio.

A declaração do senador tucano foi dada a Joesley Batista, dono da JBS, em encontro com o parlamentar no dia 24 de março deste ano, no hotel Unique, em São Paulo, e foi anexa ao acordo de delação premiada do grupo, nos autos da acusação contra Aécio no Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta do tucano era aproveitar os efeitos da Operação Carne Fraca no governo para admitir erros, mas apontar que foram pontuais e responsabilizar, por exemplo, a própria Polícia Federal, com a demissão do diretor-geral do órgão.

O senador ainda aparece na conversa criticando o então ministro da Justiça de Michel Temer, Osmar Serraglio, dizendo que ele não atua contra os avanços da Lava Jato:

“O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede para sair, Michel é doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo [em encontro do o presidente]. Mandou um cará lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse… Porque aí mexia na PF. O que vai acontecer agora? Vai vim inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não tem o cara que vai distribuir para o delegado”, afirmou, exaltado.

Depois, Aécio admitiu que poderia entrar na mira das investigações, concordando com Joesley, ao dizer que o diretor da Polícia Federal deve estar “alinhado”.

Outra acusação deflagrada na conversa de Aécio foi relacionada à nomeação do ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sem citar diretamente que se tratou de uma medida do presidente da República com algum interesse no âmbito da Operação Lava Jato ou de interferir no Judiciário em favor do mandatário e de aliados, sinalizou que Moraes tinha conhecimento das pressões de Aécio e Temer.

“E o Michel… Então nesse jogo nosso, ele teve um jantar ontem, falei Michel… Estava o Trabuco [Luiz Trabuco, presidente do Bradesco], tava o Pedro, … todos pressionando combinado com a gente”, contou Aécio, no dia 24 de março.

“Mas o que teve?”, perguntou Joesley, querendo saber sobre o encontro. “O negócio do [Alexandre] Moraes”. “Pressionaram. A polícia tem que fazer um gesto. Errou. Não adianta os caras ficarem falando que não, a Polícia Federal tem que falar: ‘Ó, realmente foi um erro do delegado que, enfim, não dimensionou a porra. Era um negócio pontual [a Operação Carne Fraca], em três lugares, já está contido e tal”, contou.

O ministro havia estreado nas sessões de julgamento do STF no dia 23 de março, participando de seu primeiro julgamento. Questionado pela Folha de S. Paulo, a assessoria do Bradesco confirmou que Trabuco esteve com Aécio no dia 24, em encontro que também reuniu o presidente do BB, Paulo Caffareli, para discutir a mudança na Presidência da Vale.

O MAIS “PÃO DE QUEIJO” DE MINAS: Após grampos e chips em propina, defesa de Aécio diz que não há “flagrante”

Após as acusações de corrupção, obstrução à Justiça e participação em organização criminosa, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) alega que o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar o pedido prisão pela Procuradoria-Geral da República (PGR) seria “uma verdadeira aberração”.

“A menos que rompamos de vez com os princípios constitucionais mais caros da nossa República, a decretação de prisão do Senador Aécio Neves é uma verdadeira aberração”, disseram os advogados Alberto Zacharias Toron, José Eduardo Alckmin e Luiza Vasconcelos Oliver, em resposta.

Segundo eles, prender preventivamente um senador da República só poderia ocorrer em situação de flagrante crime inafiançável, de acordo com a Constituição. O grampo das conversas de Aécio em clara tentativa de obstrução, além do acompanhamento pelos investigadores da entrega de R$ 1,5 milhão ao primo de Aécio, de um total de R$ 2 milhões de propina solicitados pelo senador, não foram considerados por sua defesa como flagrantes da prática do crime.

O primeiro pedido de prisão contra Aécio ocorreu logo que os grampos das conversas entre Joesley Batista, dono da JBS, foram divulgados com a investigação da Procuradoria-Geral da República. Edson Fachin, o ministro relator da Lava Jato no Supremo, negou o pedido.

Fachin levantou a hipótese de que se a Procuradoria recorresse, a decisão poderia ser levada ao Plenário do Supremo. A PGR, então, recorreu da decisão. O Supremo aguarda, contudo, a manifestação de Rodrigo Janot sobre um pedido da defesa de Aécio para que o seu afastamento da atividade de senador seja anulado. Somente então Fachin deve liberar o caso para os ministros do STF julgarem.

Em resposta, Toron, José Alckmin e Luiz Oliver avaliaram que o crime de corrupção só poderia ter sido consumado no dia em que o parlamentar pediu R$ 2 milhões a Joesley, no dia 24 de março, no Hotel Unique, em São Paulo, quando o empresário também gravou o encontro. Segundo eles, o recebimento por Frederico Pacheco de Medeiros, primo e operador de Aécio, não se caracteriza flagrante por parte do acusado.

“Faz-se, então e com todo o respeito, verdadeira ginástica interpretativa para dizer que seria possível, hoje, prender o Agravado em flagrante por uma conduta ocorrida há mais de um mês. Ainda que assim não fosse e que se pudesse falar em ‘estado de flagrância’ quando do recebimento dos valores indevidos, fato é que, no caso concreto, a entrega do dinheiro não foi feita ao Senador Aécio Neves”, posicionou-se a defesa.

Já sobre as acusações de organização criminosa e obstrução da Justiça, os advogados também rebateram o flagrante, “porque os atos praticados pelo Agravado são inerentes à função de Senador, seja porque ele se encontra atualmente afastado do Senado”.

O que foi considerado pela defesa é que a PGR se manifestou pela prisão por obstrução à Justiça usando como exemplo as medidas propostas pelo senador na função parlamentar, com os projetos de lei de anistia ao Caixa 2 e a Lei de Abuso de Autoridade. Nessa lógica, para eles, “o exercício lícito da função parlamentar e da autonomia dos membros do Poder Legislativo”.

Também acreditam que “não há indício nenhum de que o Agravado está embaraçando as investigações ‘pela interferência em acordos de colaborações em negociações que possam ser-lhe prejudicais'”.

Em diversos momentos, a defesa de Aécio alegou o cargo político para se manifestar contra uma prisão: “ainda que se superasse a insuperável proibição constitucional de decretar prisão preventiva contra um Senador da República, fato é que não existem no caso concreto os requisitos autorizadores da medida”.

Como os EUA passaram a controlar a Petrobras e a JBS. O Brasil praticamente “entregou” a JBS ao controle do EUA

Há duas áreas estratégicas no Brasil, de interesse direto dos Estados Unidos. Uma, a área de energia/petróleo; outra, a área de alimentos. Nelas, a Petrobras e a JBS.

O interesse estratégico na JBS se deve ao fato de ter se transformado no maior fornecedor de proteína animal para a Rússia e a China. Na Petrobras, obviamente pelo acesso ao pré-sal.

Nos dois casos, o Departamento de Justiça logrou colocar sob fiscalização direta do escritório Baker & McKenzie, de Chicago, o maior dos Estados Unidos, o segundo maior do mundo, com 4.600 advogados e 13.000 funcionários mundo e com estrutura legal de uma sociedade registrada na Suíça (Verein) para pagar menos impostos. É considerado ligado ao Departamento de Estado e ao Departamento de Justiça e é visto em todo o mundo como um “braço” do governo americano, atuando em alinhamento com ele na proteção dos interesses essenciais dos EUA.

No Brasil, o nome de fachada da Baker & McKenzie é o escritório de advocacia Trench, Rossi & Watanabe.

Trata-se de uma nova versão originaria do primeiro escritório Baker & Mackenzie no Brasil, fundado como Stroeter, Trench e Veirano em uma pequena casa na Rua Pará em Higienópolis em 1973. O cabeça era o advogado Carlos Alberto de Souza Rossi, filho do empresário Eduardo Garcia Rossi, ligado à SOFUNGE fundição do grupo Simonsen. Depois o Veirano saiu e montou seu próprio escritório e entrou o desembargador aposentado Kazuo Watanabe, um dos pais dos Juizados de Pequenas Causas.

O Trench, Rossi & Watanabe foi indicado pelo Departamento de Justiça como fiscal dentro da Petrobras, serviço pelo qual já cobrou mais de 100 milhões de reais. Hoje a Petrobras está sob supervisão direta  do BAKER MCKENZIE, que analisa todos seus contratos, vasculha seus e-mails, tentando identificar novas áreas de atuação suspeita.

Agora, assumiu a defesa da JBS, inclusive nas negociações com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O Baker McKenzie é o principal escritório da JBS nos EUA. O caso JBS está sendo monitorado de perto pelo governo dos EUA porque os EUA poderão ter de graça sob seu controle a maior empresa de proteína animal do mundo.

Na realidade a JBS “salvou” a indústria de frigorificação de carne dos EUA, toda ela quebrada, e salvou com dinheiro publico brasileiro.
O Brasil praticamente “entregou” a JBS ao controle do EUA. Os Batista não têm saída a não ser virarem americanos. É mais um bom serviço prestado pelos  moralistas do Brasil.

Antes os EUA usavam pastores evangélicos para penetrar nos países, hoje usam promotores.

Entenda o xadrez de como Janot foi conduzido no caso JBS. Teoria do Fato é um método de investigação que o MPF introduziu na Lava Jato

Teoria do Fato é um método de investigação que o MPF introduziu na Lava Jato

É um nome vistoso para uma metodologia utilizada empiricamente por repórteres na cobertura de casos complexos.

Trata-se de montar uma narrativa com um conjunto de deduções amarradas a algumas informações objetivas.

Vamos montar nossa Teoria do Fato sobre o acordo de delação da JBS.

Movimento 1 – Janot e a Operação Norbert

Fatos: No dia 2 de janeiro de 2015 o GGN divulgava em primeira mão a ação penal 209.51.01.813801- que mofava desde 2010 na gaveta do PGR – na época era Roberto Gurgel. Na noite do jantar de posse de Dilma Rousseff, antes de publicar a matéria, cobrei de Janot posição sobre o inquérito.

– Quando você tirará da gaveta a Operação Norbert?

A primeira reação de Janot foi demonstrar surpresa, sugerindo nada saber sobre o tema. Como já tinha todos os dados, despejei em cima dele: a operação em cima de um casal de doleiros no Rio de Janeiro, Norbert Muller e sua mulher, Christine Puschmann , montada por três procuradores de ponta do MPF – que você chamou para trabalhar na PGR -, que descobriu contas de Aécio Neves em Liechtenstein abertas em nome de uma tal Fundação Bogart & Taylor.

Aí Janot se lembrou e me disse que daria parecer no máximo até abril.

Publiquei a matéria. No dia 25 de março de 2015, o jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone entrou com uma denúncia na Sala de Atendimento ao Cidadão, solicitando providências em relação à denúncia.

Constatou-se que havia sido arquivada em 23 de fevereiro de 2010 pelo procurador Rodrigo Ramos Poerson, sob a alegação de que o Principal de Liechtenstein não tinha acordo de troca de informações com o Brasil.

No dia 15 de dezembro de 2015 Janot respondeu, informando que havia determinado o arquivamento dos autos alegando que a conta era de propriedade da mãe de Aécio, Inês Maria Neves Faria, com Aécio e irmãos figurando apenas como herdeiros. Além disso, segundo Janot, a mãe de Aécio não autorizara ninguém a abrir conta em seu nome e os valores movimentados eram inferiores ao mínimo a ser declarado ao Banco Central.

Em vista disso, determinava o arquivamento dos autos.

Esse era o Janot-Aécio antes do fator JBS.

Peça central em todas as etapas das investigações foi Marcelo Miller, procurador que conduziu a Operação Norbert, que viu indícios contra Aécio para remeter a denúncia para a PGR e que depois foi convocado por Janot para compor seu estado maior na Procuradoria Geral da República. Ou seja, o procurador Miller, em Brasília, não viu nenhum dos indícios apontados pelo Procurador Miller, quando no Rio de Janeiro.

Movimento 2 – a JBS ensaia a delação premiada

A água começou a bater no nariz da JBS com a delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica federal, ligado a Eduardo Cunha. A empresa foi alvo de três operações da Polícia Federal, Sépsis, Greenfield e Cui Bono, bens foram bloqueados e os irmãos afastados da direção do grupo.

Os irmãos Batista já haviam traçado sua estratégia. Primeiro, mudar a sede da empresa e suas residências para os Estados Unidos. A maior parte dos negócios já estava por lá e seu pedido de mudança da sede seria muitíssimo bem acolhido porque daria aos Estados Unidos poder amplo sobre o maior fornecedor de proteínas animais para a China e para a Rússia. Não foi difícil um acordo de leniência com o Departamento de Justiça local.

Mas, antes, precisaria se livrar dos empecilhos legais no Brasil. E o caminho seria um acordo de delação que limpasse definitivamente a barra por aqui.

Advogados de Joesley Batista sondaram procuradores da Lava Jato em Brasília querendo abrir caminho para a delação premiada.

Um deles era Marcelo Miller, braço direito do PGR Rodrigo Janot e profundo conhecedor dos intestinos da Lava Jato. Além disso, profundo conhecedor da falta de vontade da PGR em investigar Aécio Neves.

Movimento 3 – Miller monta a estratégia

No final de 2016 Joesley Batista percebeu que precisaria de uma estratégia fulminante para impedir que a Lava Jato destruísse a empresa, a exemplo do que fez com a Odebrecht.

Há alguns meses, Miller manifestara a colegas a vontade de deixar o MPF. A partir de fins de 2016 provavelmente deu-se a aproximação de Joesley com ele. Vamos imaginar o diálogo:

Joesley conversou com Miller indagando como poderia obter uma delação premiada que o livrasse de todos os problemas no Brasil. O procurador alegou que seria difícil, mas não impossível. Teria que apresentar uma bomba atômica maior do que todas as anteriores. Mas teria que apresentar de tal modo que não restasse outra alternativa a Janot senão aceitar.

Qual seria o caminho?

Provavelmente a resposta foi algo do gênero: “Não posso dizer, porque não sou seu advogado”.

Foi um acerto rápido – a julgar pela cronologia dos fatos. Miller seria contratado pelo escritório Trech, Rossi & Watanabe, conceituado, contratado pela Petrobras para uma auditoria em todos os contratos e e-mails da companhia desde 2003.

Movimento 4 – preparando o bote

Antes mesmo de sair do MPF, Miller ajudou a montar a estratégia.

Primeiro, analisou com Joesley todos os trunfos que teria à mão. E Joesley apresentou seus dois maiores trunfos: a possibilidade de grampear conversas comprometedoras com Michel Temer e Aécio Neves.

Mas como convencer Janot a aceitar? Desde 2014, Janot sempre tergiversara quando as investigações roçavam Aécio Neves. No Supremo, havia uma disputa entre ele e o Ministro Gilmar Mendes, inimigos declarados, mas revezando-se na blindagem a Aécio. Deixara incólume Dimas Toledo, o operador de Aécio em Furnas; recusara a delação da OAS, que seguramente incriminaria caciques tucanos.

Qual o caminho das pedras para aceitar a delação da JBS?

A estratégia consistiria, então, em apresentar provas tão bombásticas que Janot não teria outra alternativa senão aceitar. E nada melhor do que um grampo em Aécio Neves, o lado mais vulnerável de Janot, devido às suspeitas sobre sua falta de vontade de atuar contra o conterrâneo.

Miller pediu exoneração do MPF no dia 6 de março de 2017. O primeiro grampo de Joesley Batista foi um dia depois, no dia 7 de março de 2017 .

No dia 2 de abril de 2017 surgiram as primeiras informações de que Joesley estaria disposto a fazer as delações.

No decorrer do mês, houve a abordagem formal da PGR pela JBS para negociar o acordo de delação. O pacote incluía grampos com Aécio e Temer, em conversas comprometedoras; extratos bancários, números de contas no exterior por onde transitavam as propinas. E a informação de que já estavam de partida para os Estados Unidos.

Jogaram um elefante na sala de Janot, sem a menor possibilidade que fosse escondido debaixo do tapete, como foram escondidas as capivaras de Dimas Toledo, dos esquemas de Furnas, das parcerias com a Andrade Gutierrez.

Em pungente artigo publicado na UOL no dia 23 de maio de 2017, Janot admite como praticamente foi obrigado a aceitar a delação.

“Em abril deste ano, fui procurado pelos irmãos Batista. Trouxeram eles indícios consistentes de crimes em andamento – vou repetir: crimes graves em execução –, praticados em tese por um senador da República e por um deputado federal.

Os colaboradores, no entanto, tinham outros fatos graves a revelar. Corromperam um procurador no Ministério Público Federal. Apresentaram gravações de conversas com o presidente da República, em uma das quais se narravam diversos crimes supostamente destinado a turbar as investigações da Lava Jato.

Além desses fatos aterradores, foram apresentadas dezenas de documentos e informações concretas sobre contas bancárias no exterior e pagamento de propinas envolvendo quase duas mil figuras políticas”.

Não é a declaração assertiva de um PGR no pleno comando das operações, mas explicações titubeantes de como foi obrigado a aceitar a delação e negociar termos bastantes favoráveis aos delatores:

“Que juízo faria a sociedade do MPF se os demais fatos delituosos apresentados, como a conta-corrente no exterior que atendia a dois ex-presidentes, fossem simplesmente ignorados? Foram as perguntas que precisei responder na solidão do meu cargo”.

Foi a chamada sinuca de bico. Ou aceitava ou haveria dois dos mais cobiçados alvos da Lava Jato livres, leves e soltos em Nova York e o fantasma do pacote de delação pairando sobre o pescoço de Janot.

“Finalmente, tivesse o acordo sido recusado, os colaboradores, no mundo real, continuariam circulando pelas ruas de Nova York, até que os crimes prescrevessem, sem pagar um tostão a ninguém e sem nada revelar, o que, aliás, era o usual no Brasil até pouco tempo”.

Movimento 5 – a adesão da Globo

Mas não bastaria. Entrava-se, agora, em um terreno tabu para a mídia, a criminalização dos seus aliados. Afinal, Aécio Neves quase se tornou presidente da República com jornais escondendo seu passado e todas as suspeitas que pairavam sobre ele. E membros da força tarefa da Lava Jato, de Curitiba, fazendo campanha ostensiva para ele através das redes sociais.

Além disso, já havia um cansaço com as estripulias da Lava Jato paranaense e críticas cada vez mais amplas contra o estado de arbítrio. Sem o bate-bumbo da mídia, o Ministro Luiz Edson Fachin dificilmente homologaria uma delação na qual o elemento de maior destaque era um grampo no próprio presidente da República.

Como furar o balão da cumplicidade da mídia, regada pelas verbas publicitárias articuladas por Eliseu Padilha?

Aí entrou a rede Globo e seu principal patrocinador – a JBS.

No dia 10 de maio de 2017 Joesley, mais sete executivos da JBS foram até o Ministro Luiz Edson Fachin confirmar os termos da delação premiada acertada com o PGR. No dia 17 de maio de 2017, a notícia da delação é vazada para O Globo. À noite, o Jornal Nacional monta uma cobertura de quase uma hora, improvisada. No dia 18 de maio de 2017 Fachin anuncia a homologação da delação.

Imediatamente, a Polícia Federal prende Andreá Neves, invade os apartamentos de Aécio Neves, criando o episódio de maior impacto da Lava Jato desde a condução coercitiva de Lula.

O que cativou a Globo e a fez apostar todas as fichas na denúncia e, por consequência, no impeachment de Michel Temer? Quem vazou o acordo para ela, Janot ou os Batista? Como explicar quase uma hora de Jornal Nacional improvisado, com repórteres e comentaristas de olhos arregalados, balbuciantes, sem conseguir sequer seguir o script? E, mais ainda, contra o maior anunciante da Globo e rompendo o pacto com outros grupos de mídia?

Há um conjunto de possibilidades:

1. A Globo foi convencida de que não haveria mais condições de apoiar Temer, depois que o pacote fosse revelado. A alternativa seria ela faturar jornalisticamente em cima da denúncia, cacifando-se para os jogos da sucessão.

2. Houve uma negociação da Globo com a própria JBS, visando criar o fato consumado. Nenhum veículo investe a seco contra seu maior patrocinador com a desenvoltura com que a Globo endossou as denúncias.

Foi uma adesão tão rápida e improvisada que, de manhã, Mirian Leitão produziu uma bela reportagem com o ínclito Eliseu Padilha defendendo o governo; e à tarde, depois do editorial da Globo pedindo o impeachment, correu a retificar com uma notinha em que dizia que, à luz das últimas informações, o governo Temer não tinha remédio. As últimas informações eram o editorial de O Globo.

Fachin separa investigação sobre Temer e Rocha Loures do inquérito de Aécio. Irmã e primo de Aécio ficarão no mesmo inquérito do senador.

Relator da Lava Jato, o ministro Edson Fachin dividiu a investigação sobre o presidente Michel Temer e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) do inquérito que também investiga no Supremo Tribunal Federal (STF) o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Na mesma decisão, o ministro também autorizou o interrogatório de Temer, que poderá ser feito por escrito, e respondido pelo presidente 24 horas após a entrega das perguntas pela Polícia Federal.

Fachin também decidiu abrir mão da relatoria do inquérito sobre Aécio e seus familiares. Com isso, o caso será enviado à presidente do STF, Cármen Lúcia, para sorteio de um novo ministro para conduzir a investigação.

O caso
Em abril, quando foi aberta a apuração, Temer, Aécio e Rocha Loures eram investigados conjuntamente na Suprema Corte. O pedido para apurar o presidente da República, o deputado e o senador foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A jornalista Andrea Neves – irmã de Aécio – e Frederico Pacheco de Medeiros – primo do senador afastado do PSDB – ficarão no mesmo inquérito do parlamentar mineiro.
Na semana passada, a defesa de Temer pediu o desmembramento do inquérito, sob o argumento de que não havia conexão entre os fatos imputados aos três, narrados na delação premiada da JBS.

Responsável pela defesa do presidente da República, o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira também argumentou na peça judicial que uma investigação autônoma sobre Temer também traria mais celeridade às apurações.

O pedido de abertura de inquérito foi feito após um dos donos do grupo JBS, Joesley Batista, dizer em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que, em março deste ano, gravou o presidente dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A delação de Joesley e de seu irmão, Wesley Batista, foi homologada por Fachin.

Decisão de Fachin
Na decisão, o ministro manteve unidas as investigações sobre Temer e Rocha Loures por entender que o deputado teria agido em nome do presidente no trato com o dono da JBS Joesley Batista.

O ministro faz menção ao relato da Procuradoria Geral da República (PGR), segundo o qual na conversa gravada com Temer em março, Joesley Batista buscava um novo interlocutor no governo para tratar dos interesses da empresa. Em resposta, o presidente indicou o deputado Rocha Loures para esse relacionamento.

“Os elementos de informação até então produzidos expõem, ao menos em tese, a substituição de Geddel Vieira Lima pelo deputado federal Rodrigo Santos de Rocha Loures como interlocutor do presidente da República para tratar de assuntos de interesse do Grupo Empresarial J&F; como também a suposta influência exercida por

Eduardo Cosentino Cunha, ex-deputado federal, sobre assuntos governamentais, mesmo se encontrando recluso e afastado”, registrou o ministro.

Fachin diz ainda que já existem inquéritos em andamento na Corte para apurar a atuação de membros do PMDB na Câmara e no Senado no esquema de corrupção investigado na Lava Jato e, por isso, o novo caso de Temer deve ser mantido sob sua relatoria.

SEM MORAL DENTRO DE CASA: Ministro Fachin autoriza Polícia Federal a interrogar presidente Temer, SUA QUEDA É QUESTÃO DE TEMPO

Interrogatório poderá ser feito por escrito e terá de ser respondido pelo presidente 24 horas depois da entrega das perguntas. Inquérito tem por base delações de empresários da JBS.

O Ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o interrogatório de Michel Temer no inquérito em que o presidente é investigado com base nas delações premiadas dos donos da empresa JBS.

O interrogatório, pedido pela Procuradoria Geral da República, poderá ser feito por escrito e respondido pelo presidente 24 horas após a entrega das perguntas pela Polícia Federal.

O ministro determinou o envio imediato do inquérito sobre Temer à Polícia Federal para conclusão das investigações. Isso deverá ser feito, segundo o ministro, no prazo de dez dias.

Nesta terça-feira (30), Fachin também decidiu separar a investigação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do inquérito de Temer, que também inclui o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Com isso, a investigação foi dividida em dois inquéritos diferentes. Aécio, Temer e Loures são investigados no STF por suspeita de corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça.

A defesa de Temer já havia pedido na semana passada que um eventual interrogatório fosse feito por escrito. Com o interrogatório, a PGR quer esclarecimentos sobre um diálogo do presidente com o empresário Joesley Batista, registrado pelo dono da JBS com um gravador escondido.

O inquérito foi autorizado no último dia 18 por Fachin a fim de apurar se, no diálogo, o presidente deu aval a Joesley Batista para o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato.

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao confirmar o diálogo gravado por Joesley em março, Temer teria feito uma “confissão extrajudicial”. O procurador apontou “anuência” de Temer ao pagamento de propina.

“Em pronunciamentos recentes, o presidente da República não negou o encontro nem diálogo noturno e secreto com o colaborador Joesley Batista, tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes as autoridade competentes”, diz Janot, em referência a outro trecho da conversa em que o empresário relatou manobras junto a juízes e um procurador numa investigação.